Da minha inocência perdida,
Por ti andarei sempre a sofrer,
O resto do tempo da minha vida.
Da minha terra tive saudades,
E por ela um dia já suspirei,
Hoje lembro as minhas idades,
Das mocidades que aí passei.
Sinto a falta dos teus cheiros,
Das noites de brisas quentes,
Dos meus bons companheiros,
A sombra das tuas palmeiras,
A marginal linda e reluzente,
Longas noites de cavaqueiras,
As esplanadas cheias de gente.
Tuas praias de areal sem fim,
S. Jorge, Barracuda, Tamar,
De dia percorridas por mim,
À noite estendidas pra amar.
Tardes dançantes no Tropical,
As noites do Iate e Flamingo,
Teatro no Avenida e Nacional,
Os cinemas cheios ao Domingo.
Teu crepúsculo em tons raiados,
Luas de prata na baía a brilhar,
Os miradouros dos namorados,
O silêncio da cidade a acordar.
Será que ainda voltarei a ver,
Luanda, terra do meu encanto,
E nas tuas ruas poder verter,
Minhas lágrimas, meu pranto!
Mas meu desejo já está feito,
A minha sepultura será o mar,
Regressarei assim ao teu peito,
E em teus braços me aconchegar!
A ti Luanda dedico este meu poema.


